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SAÚDE MENTAL, BURNOUT E VIOLÊNCIA CONTRA OFICIAIS DE JUSTIÇA SÃO DEBATIDOS NA 1ª JORNADA DO FÓRUM LATINO-AMERICANO

SAÚDE MENTAL, BURNOUT E VIOLÊNCIA CONTRA OFICIAIS DE JUSTIÇA SÃO DEBATIDOS NA 1ª JORNADA DO FÓRUM LATINO-AMERICANO

A saúde mental dos Oficiais de Justiça e os impactos provocados pela exposição constante a situações de risco, violência e pressão psicológica foram os temas centrais do primeiro painel da tarde desta quinta-feira (08), durante a 1ª Jornada do Fórum Latino-Americano de Oficiais de Justiça, realizada em Buenos Aires, na Argentina.

Com o tema “Cuidar de quem executa - Saúde mental dos Oficiais de Justiça: burnout, violência no exercício da função e estratégias de cuidado”, o painel reuniu o médico forense argentino Dr. Leonardo Ghioldi e a médica especialista em psiquiatria e psicóloga Silvia Bentolila, também da Argentina.

Durante as apresentações, os especialistas chamaram a atenção para os riscos emocionais associados ao exercício da atividade e a necessidade de reconhecer o cuidado com a saúde mental como parte fundamental das condições de trabalho e da valorização dos Oficiais de Justiça.

O médico forense destacou as particularidades da atuação dos Oficiais de Justiça, especialmente o caráter solitário de grande parte das diligências e a exposição frequente a situações de tensão e possíveis episódios de violência.

Segundo ele, a imprevisibilidade das ocorrências e a necessidade de permanecer constantemente em estado de alerta geram uma pressão psicológica significativa sobre os profissionais, que precisam estar preparados para lidar com conflitos e circunstâncias de risco durante o cumprimento das determinações judiciais.

Nesse contexto, Ghioldi ressaltou a importância da preparação psíquica dos Oficiais de Justiça, de forma que possam reconhecer os fatores de estresse e desenvolver estratégias para enfrentar as situações adversas vivenciadas no cotidiano profissional.

O especialista alertou que a exposição prolongada a essas condições têm contribuído para o aumento dos casos de burnout, depressão e outros transtornos relacionados à saúde mental, evidenciando a necessidade de medidas preventivas e de acompanhamento adequado.

Estado permanente de alerta e a importância das redes de apoio

Na sequência, Silvia Bentolila abordou os mecanismos psicológicos envolvidos nas situações de ameaça, insegurança e perda de controle, destacando como essas experiências podem afetar a saúde emocional dos profissionais.

A especialista explicou que os seres humanos possuem dificuldades para lidar com a incerteza e que acontecimentos inesperados podem desencadear reações intensas de alerta e sensação de vulnerabilidade.

Segundo ela, diante de uma ameaça, o organismo desenvolve estratégias de proteção e adaptação. Entretanto, quando esse estado de alerta permanece ativo de maneira contínua, sem períodos adequados de recuperação, pode contribuir para o adoecimento psíquico.

Silvia chamou a atenção para o fato de que os Oficiais de Justiça, em razão das características da profissão, estão frequentemente submetidos a circunstâncias que exigem vigilância e respostas rápidas, tornando ainda mais importante a adoção de estratégias de prevenção ao esgotamento emocional.

Ao abordar formas de evitar o burnout, a especialista ressaltou a necessidade de construir e fortalecer redes de apoio, inclusive entre os próprios colegas de profissão. A escuta ativa, o compartilhamento de experiências e o acesso a ferramentas de cuidado desenvolvidas em conjunto com profissionais de saúde mental foram apontados como medidas fundamentais para enfrentar os impactos psicológicos da atividade.

A médica também destacou que o cuidado com a saúde mental não pode ocorrer apenas quando surgem sinais de adoecimento, mas deve integrar permanentemente a rotina dos profissionais e as políticas de atenção à saúde no ambiente de trabalho.

“Cuidar da saúde do Oficial de Justiça é também fazer Justiça”, enfatizou Silvia Bentolila ao encerrar sua apresentação.

A 1ª Jornada do Fórum Latino-Americano de Oficiais de Justiça prossegue em Buenos Aires ao longo desta quinta e durante a manhã da sexta-feira (09), com debates sobre os desafios contemporâneos da execução judicial, reunindo representantes de diferentes países para o intercâmbio de experiências e o fortalecimento da cooperação internacional.

De Buenos Aires, Caroline P. Colombo